A leitura do livro O romance de Tristão e Isolda que fizemos - eu e os alunos dos 1º Anos - rendeu um trabalho interessante em sala de aula que gostaria de compartilhar aqui. Pedi aos alunos que escolhessem um trecho dessa obra para apresentar teatralmente em sala. Assim, o texto narrativo com o qual conviveram por mais de um mês tornou-se texto e experiência teatral. Foi muito divertido. A maior parte dos grupos optou por versões bem humoradas da tragédia de Tristão e Isolda. Outra transição de gênero que permitiu reflexões sobre as possibilidades e flexibilidades de um texto literário. Propus que apresentassem cenas curtas e sem grandes elaborações relativas a cenário e figurino. Mesmo assim, alguns grupos foram bastante criativos nesses aspectos e capricharam. Também a encenação poderia se limitar à leitura dramática do texto. Mas boa parte dos grupos decorou o texto e deu a ele a vida necessária à apresentação teatral. Fiquei muito feliz e orgulhosa com o resultado e quero agradecer e parabenizar a todos os meus queridos alunos das turmas de 1º Ano do Colégio Ruy Barbosa pelo trabalho.
Espaço destinado à discussão de obras literárias e outras expressões artísticas relacionadas, como cinema, música, televisão.
sábado, 22 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Livro digital
Há pouco mais de uma semana, abri uma enquete sobre o advento do livro digital. Algumas pessoas colaboraram dando sua opinião sobre a questão livro de papel x livro digital. Quem ama os livros, como eu, gosta do cheiro do papel, da textura, de manuseá-lo, virar as páginas. É difícil pensar em deixar esse contato íntimo, físico, com o livro. Acho que por isso a maior parte dos que opinaram na enquete ficou com o meio termo: a permanência das duas formas, o livro de papel e o livro digital. É verdade que o livro digital tem suas vantagens. Ele não mofa, não envelhece, não acumula poeira - para os alérgicos, mal do qual eu sofro, é uma vantagem e tanto. Também ocupa pouquíssimo espaço e evita a beleza de uma estante abarrotada e colorida dos seus irmãos de papel.
A verdade é que não há como evitar a ascensão do livro digital. Como outras manias tecnológicas, ele será adotado por grande parte das pessoas por sua praticidade e até mesmo economia. Cláudio de Moura Castro, colunista da Veja, escreveu para a edição da revista desta semana uma crônica falando a respeito da chegada do livro digital. É um texto muito interessante intitulado O parto do livro digital. Ele fala de como gradativamente essa nova forma de ler tem conquistado o mercado por razões como as que citei acima e outras. Fala também de como as editoras dos livros convencionais podem sobreviver a isso.
Quanto a nós, leitores, certamente nos adaptaremos a mais essa mudança tecnológica.Não sei quanto tempo demorará, mas como amante do papel que sou, espero que a enquete esteja certa e as duas formas de leitura possam conviver sempre.
A verdade é que não há como evitar a ascensão do livro digital. Como outras manias tecnológicas, ele será adotado por grande parte das pessoas por sua praticidade e até mesmo economia. Cláudio de Moura Castro, colunista da Veja, escreveu para a edição da revista desta semana uma crônica falando a respeito da chegada do livro digital. É um texto muito interessante intitulado O parto do livro digital. Ele fala de como gradativamente essa nova forma de ler tem conquistado o mercado por razões como as que citei acima e outras. Fala também de como as editoras dos livros convencionais podem sobreviver a isso.
Quanto a nós, leitores, certamente nos adaptaremos a mais essa mudança tecnológica.Não sei quanto tempo demorará, mas como amante do papel que sou, espero que a enquete esteja certa e as duas formas de leitura possam conviver sempre.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Final Alternativo
Gostaria que vocês lessem o final alternativo que a Natália, aluna do 2º Ano B, escreveu para o romance de Edney Silvestre, Se eu fechar os olhos agora. O texto revela um pouco a tristeza de alguns leitores com a morte de um personagem querido. Gostaríamos que fosse diferente. Na verdade, muito do que é narrado no romance, muitas verdades ali travestidas de ficção gostaríamos que não existissem, gostaríamos de fechar os olhos para elas (e muitas vezes fechamos, não por omissão ou indiferença, mas tamanha a dor que elas nos causam). Bom, leiam o texto da Natália, que, aliás, escreve muito bem.
"Final Alternativo - Se eu fechar os olhos agora
'Cecília recuou e disparou a última bala'.
Ubiratan pedalou de volta ao hotel com a imagem perturbando-lhe a mente. Em momento algum quisera que mais duas pessoas morressem. Sem saber a verdade. Pedalava o mais lento que podia a bicicleta de Eduardo, adiando o momento que teria de contar-lhes toda a verdade. As atrocidades do mundo adulto não deveriam ser tão exploradas por crianças. Não queria imaginar o que poderia acontecer depois que soubessem tudo o que acontecera com Anita. E Renato. E todas as outras pessoas envolvidas nesse mistério que não parecia ter fim. O caminho de volta foi propositalmente mais demorado que o de ida. Apesar do medo de enfrentar a verdade, já tinha decidido não esconder mais nada. Segredos assim só causavam dor atrás de dor.
Paulo encontrava-se em alto estado de euforia. Batia os pés ao chão no ritmo de alguma música que ouviu pela rua. Odiava desconhecer as coisas, e odiava o Velho por ter privado-lhe de informações importantes. Ele e Eduardo haviam achado o corpo. Não era justo o mistério ser desvendado sem que soubessem. Eram os principais. Tão importantes quanto os presidentes que estudara em história. Mesmo assim, sentia que jamais saberia de nada. No caso, se não o soubesse, haveria uma dúvida eterna em sua mente. Haveria uma prostituta sem um seio, injuriada por não ter descoberto tudo, que lhe daria o braço ao lado de uma mulher quando fosse se casar. Olharia os olhos de seu filho quando o tivesse. Não estava pronto para conviver com isso. Não podia sequer imaginar como passaria o resto da vida sendo assombrado por uma mulher que deveria ter permanecido onde estava. Os mortos eram enterrados por isso. Para não assombrarem mais a vida de quem se importou com eles. No entanto, pegavam um braço inteiro quando lhe ofereciam as mãos, desenterravam-se e permaneciam na lembrança de quem os importunou.
O outro garoto apenas observava tudo ao seu redor. Os pés do amigo batendo o chão de madeira, o vento frio que batia na janela. Lembrou-se que, se Ubiratan não voltasse com sua bicicleta, arranjaria uma confusão em casa. Viu que Paulo estava com raiva. Ele não, estava apenas magoado. Confiara em Ubiratan. Aceitou-o em sua investigação tão preciosa, pediu sua ajuda e depositou tudo o que podia. Acabou trancado em um quarto de bordel sem saber o que acontecia. Não era o fim que esperava para a história. Não queria permanecer sem saber o que aconteceu com Anita, quem era Renato, e o que fizera. Imaginou como seria sua vida se não tivesse suas respostas. Alguma Anita sangrenta apareceria em seus sonhos. A idéia era aterrorizante. Só queria terminar a escola e seguir a profissão dos seus sonhos. Só precisava saber o fim, aí estaria tudo certo.
Na manhã do dia seguinte, Ubiratan já havia explicado toda a história. Até mesmo os detalhes sórdidos, não achava justo privá-los de qualquer coisa. Ao contrário do que esperava, não provocou um choque tão grande nos meninos. Paulo havia dito:
- Esse é um tipo de coisas que meu irmão diz que faz.
Estavam a caminho do lago. Os três juntos, sem nenhum tipo de raiva ou rancor ou até mesmo mágoa. Estava tudo resolvido. Anita foi morta por Renato, seu próprio irmão. Agora podia descansar em paz sem assombrar o futuro de nenhum deles. Paulo não tinha mais medo. Eduardo não tinha mais duvidas. Ubiratan sentia-se útil,depois de tanto tempo. Caminhavam em silêncio. Um silêncio cômodo. Palavra alguma poderia representar a pontinha avassaladora de orgulho que sentiam no fundo. Haviam resolvido um crime! Um velho e duas crianças. Ninguém esperava nada deles. Os passos eram leves, não havia mais nada sobre as costas.
Ao chegarem ao local onde antes estava o lago, sentiram o cheiro agridoce ao mesmo tempo. Os sentidos aguçaram-se. As pupilas dilataram-se. O medo voltou a assombrar-lhes a lembrança. Ao chão, jazia outra mulher. Desta vez com o peito esquerdo brutalmente arrancado. Paulo quis chorar. Eduardo quis correr. Ubiratan acreditou que era só um pesadelo. O rosto dessa vez estava coberto por um pano que um dia fora branco. No momento, era vermelho como o sangue que impregnava todos os lados. Em um lapso de coragem, Eduardo tirou o pano do rosto da mulher. Teve vontade de morrer quando viu Hanna, outra prostituta, com uma expressão distorcida e cheia de dor. Nem se fechassem os olhos agora, poderiam apagar a imagem que acompanhou-lhes pelo resto da vida. De novo. Não poderiam tirar aquele odor ferruginoso de suas lembranças. Poderiam fechar os olhos pela vida inteira. Nada jamais tiraria Anita, e agora Hanna, de seus pensamentos".
"Final Alternativo - Se eu fechar os olhos agora
'Cecília recuou e disparou a última bala'.
Ubiratan pedalou de volta ao hotel com a imagem perturbando-lhe a mente. Em momento algum quisera que mais duas pessoas morressem. Sem saber a verdade. Pedalava o mais lento que podia a bicicleta de Eduardo, adiando o momento que teria de contar-lhes toda a verdade. As atrocidades do mundo adulto não deveriam ser tão exploradas por crianças. Não queria imaginar o que poderia acontecer depois que soubessem tudo o que acontecera com Anita. E Renato. E todas as outras pessoas envolvidas nesse mistério que não parecia ter fim. O caminho de volta foi propositalmente mais demorado que o de ida. Apesar do medo de enfrentar a verdade, já tinha decidido não esconder mais nada. Segredos assim só causavam dor atrás de dor.
Paulo encontrava-se em alto estado de euforia. Batia os pés ao chão no ritmo de alguma música que ouviu pela rua. Odiava desconhecer as coisas, e odiava o Velho por ter privado-lhe de informações importantes. Ele e Eduardo haviam achado o corpo. Não era justo o mistério ser desvendado sem que soubessem. Eram os principais. Tão importantes quanto os presidentes que estudara em história. Mesmo assim, sentia que jamais saberia de nada. No caso, se não o soubesse, haveria uma dúvida eterna em sua mente. Haveria uma prostituta sem um seio, injuriada por não ter descoberto tudo, que lhe daria o braço ao lado de uma mulher quando fosse se casar. Olharia os olhos de seu filho quando o tivesse. Não estava pronto para conviver com isso. Não podia sequer imaginar como passaria o resto da vida sendo assombrado por uma mulher que deveria ter permanecido onde estava. Os mortos eram enterrados por isso. Para não assombrarem mais a vida de quem se importou com eles. No entanto, pegavam um braço inteiro quando lhe ofereciam as mãos, desenterravam-se e permaneciam na lembrança de quem os importunou.
O outro garoto apenas observava tudo ao seu redor. Os pés do amigo batendo o chão de madeira, o vento frio que batia na janela. Lembrou-se que, se Ubiratan não voltasse com sua bicicleta, arranjaria uma confusão em casa. Viu que Paulo estava com raiva. Ele não, estava apenas magoado. Confiara em Ubiratan. Aceitou-o em sua investigação tão preciosa, pediu sua ajuda e depositou tudo o que podia. Acabou trancado em um quarto de bordel sem saber o que acontecia. Não era o fim que esperava para a história. Não queria permanecer sem saber o que aconteceu com Anita, quem era Renato, e o que fizera. Imaginou como seria sua vida se não tivesse suas respostas. Alguma Anita sangrenta apareceria em seus sonhos. A idéia era aterrorizante. Só queria terminar a escola e seguir a profissão dos seus sonhos. Só precisava saber o fim, aí estaria tudo certo.
Na manhã do dia seguinte, Ubiratan já havia explicado toda a história. Até mesmo os detalhes sórdidos, não achava justo privá-los de qualquer coisa. Ao contrário do que esperava, não provocou um choque tão grande nos meninos. Paulo havia dito:
- Esse é um tipo de coisas que meu irmão diz que faz.
Estavam a caminho do lago. Os três juntos, sem nenhum tipo de raiva ou rancor ou até mesmo mágoa. Estava tudo resolvido. Anita foi morta por Renato, seu próprio irmão. Agora podia descansar em paz sem assombrar o futuro de nenhum deles. Paulo não tinha mais medo. Eduardo não tinha mais duvidas. Ubiratan sentia-se útil,depois de tanto tempo. Caminhavam em silêncio. Um silêncio cômodo. Palavra alguma poderia representar a pontinha avassaladora de orgulho que sentiam no fundo. Haviam resolvido um crime! Um velho e duas crianças. Ninguém esperava nada deles. Os passos eram leves, não havia mais nada sobre as costas.
Ao chegarem ao local onde antes estava o lago, sentiram o cheiro agridoce ao mesmo tempo. Os sentidos aguçaram-se. As pupilas dilataram-se. O medo voltou a assombrar-lhes a lembrança. Ao chão, jazia outra mulher. Desta vez com o peito esquerdo brutalmente arrancado. Paulo quis chorar. Eduardo quis correr. Ubiratan acreditou que era só um pesadelo. O rosto dessa vez estava coberto por um pano que um dia fora branco. No momento, era vermelho como o sangue que impregnava todos os lados. Em um lapso de coragem, Eduardo tirou o pano do rosto da mulher. Teve vontade de morrer quando viu Hanna, outra prostituta, com uma expressão distorcida e cheia de dor. Nem se fechassem os olhos agora, poderiam apagar a imagem que acompanhou-lhes pelo resto da vida. De novo. Não poderiam tirar aquele odor ferruginoso de suas lembranças. Poderiam fechar os olhos pela vida inteira. Nada jamais tiraria Anita, e agora Hanna, de seus pensamentos".
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